sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Talvez se fizessemos o que queriamos...

Não é difícil, caso você pare por um segundo no caminho do trabalho, ou da prática do seu esporte, ou seja lá de qualquer coisa, pensar no que você está fazendo, e para quê está fazendo? É perigoso fazer essa auto-pergunta, você simplesmente pode parar de fazer tudo que está fazendo. É isso mesmo, se você procurar sentido pra o que faz, talvez você mude tudo.

É comum né?! Reclamarmos de tudo à volta, já repararam? O ônibus que não chega no horário e agente imagina e põe a culpa em alguém, seja na companhia de viação ou no motorista, e no caminho ao trabalho paramos pra comer um sanduíche na padaria da esquina e o pão está seco, era de ontém, e o atendente nem te avisou, você fica chateado e novamente reclama. Chega no trabalho, alguns não te mandam nada no prazo, outros te exigem coisas em prazos antecipados e você se vê novamente nessas mudanças e tudo ocorre errado, bagunçado, fora do combinado ou do esparado.

Com isso nos tornamos mais exigentes no trabalho, na academia, em qualquer lugar cobrando qualidade da coisa senão parece que a coisa não anda. Se você, por exemplo, no banco não policiar uma fila, vai ver que algumas pessoas irão furar a fila, se você não conferir sua folha de pagamento vai ver que há possibilidades de faltar algum dinheiro ali, enfim, por quê tudo é tão complicado?

Estava refletindo e reparando que as pessoas em geral, e esse percentual deve ficar em torno de 99% rsrs Sim, as pessoas não gostam do que fazem!

Vivem a vida buscando uma profissão pra ganhar dinheiro, os dons de Deus ou da natureza(ou qualquer coisa que você acreditar), esses foram castrados pela sociedade ou pelos pais, ou por você mesmo porquê julgou outra coisa ou conquista mais importante, e aí ignora-se o talento nato de uma criança pra ser um atleta olímpico ou um pianista clássico, porque queriam que o menino fosse advogado, ou engenheiro, e enchem a boca pra falar nas festas: - O MEU FILHO É A TERCEIRA GERAÇÃO DE ENGENHEIROS DA FAMÍLIA!

Pode acontecer o papel inverso, você pode ser incentivado também pela família e sociedade, investirem em você, dinheiro, sabedoria, muita torcida e você largar tudo porquê cresceu o olho na grana, em alguma atividade que vai te dar um dinheiro momentâneo e depois você vai ser mais um frustado a reclamar e virar mais um saudosista do tipo: - NA MINHA ÉPOCA EU FAZIA TAL COISA, E NADA É COMO AGORA.. NAQUELA ÉPOCA ERA MAIS LEGAL, HOJE NÃO TEM NADA DISSO (O engraçado é que tudo antigamente sempre foi melhor, se abrir pro novo não existe)

E o menino tá lá jogado na sociedade agora, ganhando uma quantidade imensa de dinheiro, feliz?! Não sei! A base de toda essa questão é: Será que ele faz as atividades do trabalho com vontade? Será que é isso que falta na nossa sociedade? As pessoas fazerem o que gostam? E aí dá nisso, em todos os ramos da sociedade tá tudo funcionando meia-boca, e quando você encontra pessoas com vontade em qualquer atividade, essas se destacam facilmente.

É um lance que dificilmente aprenderemos, mesmo porquê é um dilema enorme você largar as coisas por sonhos pouco plausíveis muitas vezes, ainda mais nesse sistema competitivo tão cruel e que não dá perdão. E se as pessoas não fizessem as coisas coisas que dão dinheiro / vitrine / fama, mas o que gostam realmente, se fizessem isso, ou quase isso, com certeza o que hoje consideramos fama e que dá dinheiro poderia ter outra formatação de distribuição de renda da sociedade. Imagina se quem fosse pintor ou cartunista ganhasse 100 mil reais por mês? Apareceriam milhares de cartunistas porque almejam esses 100 mil reais, mas é claro que nem todos tem talento!

Posso estar enganado, eu mesmo não faço tudo que eu gosto, mas tento mudar aos poucos, e vejo que a felicidade aparece com mais naturalidade, é um processo constante de melhoria e é muito difícil. Pessoas costumam dizer: - AHH EU FAZIA ATLETISMO, JÁ FIZ ISSO E AQUILO, MAS HOJE? HOJE NÃO DÁ NÉ?! TEM QUE TRABALHAR E FAZER ISSO NÃO TEM JEITO! (Será que em qualquer interpretação de texto em qualquer linguagem ficou na cara que a pessoa não é feliz?) Com certeza né?!

É óbvio que terão trabalhos que ninguém vai querer fazer, mas pra esses, paga-se bem! Prêmia-se com incentivos, algo que valha a pena, que se equipare, que mitigue a pseudo-felicidade perdida por não fazer um trabalho de que gostaria, não só monetariamente, mas moralmente(Coisas que não acontecem atualmente). As pessoas não fazem as coisas aprendendo a importância do seu papel na sociedade, podendo assim gostar do que faz, as pessoas fazem as coisas pensando na importância e quantidade do seu dinheiro. Não necessariamente quem ganha mais, é mais importante pra sociedade, porém, o povo ainda não descubriu esse poder.

Diante disso tudo, não sei, mas.. Talvez se nós fizemos o que realmente gostamos, ou pelo menos metade do que gostamos, o mundo seria melhor, o mundo seria menos errado.. Tanta criança, seja de rua, ou de família que tenha mais oportunidade, querendo ser engenheiro, piloto de automóvel, palhaço de circo, carteiro, técnico de arrumar TVeRádio, médico e etc.. Mas elas, tanto as que tem, como as que não tem oportunidade, no final das contas vão fazer outras coisas, o que está a sua disposição e alcance social, ou o que está mais perto de sua perpetuação na pirâmide social(que dá dinheiro, que a urgência pelo dinheiro impõe), ou o que a família impõe, dilacerando sonhos e dons.

Utopia? ou Possível realidade? Acho que não dá pra ter certeza, fica só a reflexão ;)

Deixe seu comentário!

Um comentário:

  1. Nário,

    Muito bom o texto! Tenho certeza que a humanidade segue empurrando as coisas com a barriga, como citou no texto, por focarem pro lado errado material e esquecemos de valores morais, éticos!
    Deixamos sempre os nossos sonhos de lado, sad but true!

    ResponderExcluir